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O sexo dos anjos

27
Out17

28 milhões de raparigas em África sem acesso à educação

por Cila

28 milhoes de raparigas sem direito a educação.j

Texto escrito por Rita Silva Avelar para a Maxima

 

Cerca de 67% das raparigas na África Ocidental e Central desistem da escola porque passaram por situações violentas ou de assédio sexual.

Um novo relatório da associação Save The Children e do The Regional Coordination Group para o programa SDG4-Education 2030 revela que 28 milhões de raparigas na África Ocidental e Central não têm acesso à educação. Os números mostram que estas zonas do continente africano estão entre as que precisam de mais ajuda para garantir aquilo a que todas as crianças deviam ter direito: conhecimento.

 

Os dados do relatório Promoting Girls’ Right to Learn revelam que apenas 76 raparigas estão inscritas em escolas secundárias para cada 100 rapazes na mesma região. Enquanto 70% integram a escola primária, a proporção de raparigas que terminam a educação secundária é de apenas 36%. Segundo o mesmo relatório, o insucesso escolar feminino deve-se, em grande parte, às barreiras sociais, à desigualdade de género, ao casamento na infância ou à gravidez precoce (nascem cerca de 200 bebés por cada 1000 jovens mulheres adolescentes, a taxa mais alta do mundo) – variantes com maior proeminência nesta região de África.

Além disso, a escassa capacidade financeira das famílias e o facto de tradicionalmente darem prioridade à fertilidade e ao casamento, leva a que a educação dos rapazes seja mais prioritária do que a das raparigas. Outro dos dados refere-se à violência nas escolas – cerca de 67% das raparigas que desistem da escola fazem-no porque passaram por situações violentas ou de assédio. Há ainda a questão da falta de higienização dos espaços escolares, que não permite, muitas vezes, ter os cuidados básicos.

O relatório apresenta vários exemplos, como o do Níger, onde a Save The Children está a trabalhar localmente com os pais para lutar contra o casamento infantil e manter o sexo feminino nas escolas (o programa chama-se GPE e já ajudou cerca de 700 raparigas, assegurando os custos de vida aliados à educação fora das localidades natais). Na Libéria, o ministro da Educação, a UNICEF e as organizações não-governamentais locais aliaram-se para dar vida ao Gender Equitable Education Programme (GEEP), um programa que atua diretamente nos casos de violência, reforçando a segurança nas escolas.

Não podia deixar de partilhar aqui este texto que tão bem mostra o que é a desigualdade de género. Se, por um lado encontramos tão bons indícios de que algo está a mudar (refiro-me ao post anterior relativo a Jacinda Ardern a mais nova primeira ministra da Nova Zelândia), logo de seguida aparece esta triste realidade. Há tanto, mas tanto, ainda a fazer. A palavra de ordem só pode ser , batalhar, batalhar e batalhar. Um dia, quem sabe, conseguimos lá chegar.

 

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