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O sexo dos anjos

08
Mar18

1 Ano de blog e On 8 March #WeStrike

por Cila

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Faz hoje 1 ano, no Dia Internacional da Mulher, decidi criar este blog com o intuito de partilhar as minhas inquietações e dificuldades quanto ao papel da mulher neste mundo. Coincidentemente, este foi um ano de grandes mudanças, revelações e campanhas que pretendem dar à Mulher o destaque e posição que ela merece. Gosto de pensar que coloco um grãozito de areia neste difícil processo e que as minhas palavras possam ter algum feedback na mentalidade de algumas pessoas. Seria muito feliz se soubesse que consegui, pelo menos, conquistar uma pessoa na sua forma de ver e sentir esta sociedade de criámos.

Para celebrar este ano de escrita e de conquista, hoje partilho convosco um extrato de um artigo publicado no “The Guardian”, com o título original We need a feminism for the 99%. That's why women will strike this year, também ele uma forma de celebrar o Dia Internacional da Mulher e de dar a conhecer ao mundo algumas das verdades escondidas numa sociedade predominantemente machista.

No ano passado, no dia 8 de março, nós, mulheres de todos os tipos, marchámos, parámos de trabalhar e tomámos as ruas em cinquenta países de todo o mundo. Nos Estados Unidos, manifestámo-nos, marchámos, deixamos a louça para os homens em todas as grandes cidades desse país e em incontáveis cidades menores. Nós interrompemos o funcionamento de três distritos escolares para provar ao mundo, mais uma vez, que enquanto sustentamos a sociedade nós também temos o poder de fechá-la.

 

8 de março está a chegar e, novamente, as coisas estão a piorar para as mulheres deste país.

Neste ano de governo Trump, não fomos apenas atacadas com abuso verbal e ameaças misóginas sob o disfarce de declarações oficiais, o regime Trump colocou em prática políticas que continuarão tais ataques contra nós de formas profundamente institucionais.

As reformas tributárias e trabalhistas (Tax Cuts e Job Acts) cortam isenções que beneficiam trabalhadores de salários mais baixos cuja vasta maioria é composta de mulheres. Há planos para destruir o Medicaid e o Medicare, os dois únicos programas que restam nesse cruel cenário neoliberal que protegem os idosos e os pobres, os doentes e os deficientes, o planeamento familiar e as crianças – e, portanto, as mulheres, as quais fazem a maior parte do trabalho de cuidados. E, enquanto o ato nega assistência médica para crianças imigrantes, introduz poupança universitária para “crianças não nascidas” [nascituros], uma maneira arrepiante ao estabelecer, por decreto legal, “direitos” às “crianças não nascidas”, desse modo, assaltando nosso direito fundamental de tomar decisões sobre nosso próprio corpo.

Mas esta não é a história toda.

Com todas estas frentes de guerra abertas contra nós, não nos acovardamos, devolvemos com luta.

Quando, no outono passado, mulheres com visibilidade pública e acesso à imprensa internacional decidiram romper o silêncio sobre assédio e violência sexual, as comportas foram finalmente abertas e uma torrente de denúncias públicas inundaram a internet.

As campanhas #MeToo, #UsToo e #TimesUp tornaram visível aquilo que a maioria das mulheres já sabia: seja no ambiente de trabalho ou em casa, nas ruas ou nos campus, em prisões ou em centros de detenções do ICE [Immigration and Customs Enforcement], a violência de gênero com seu efeito racista diferenciado assombra a vida cotidiana das mulheres.

O que também se tornou claro é que o silêncio público sobre algo que sempre soubemos, suportamos e lutamos contra, não existe apenas porque temos medo ou vergonha falar: o silêncio é forçado. O silêncio é imposto por leis do Congresso que fazem as mulheres passar por quase um ano de aconselhamento obrigatório e mediação se elas ousarem prestar uma queixa oficial. O silêncio é afetado pelo sistema de justiça criminal que, rotineiramente, rejeita relatos de mulheres usando camadas adicionais de intimidação e violência. Nos campus universitários, enquanto os administradores encontram meios “legais” inteligentes para proteger a instituição e o criminoso, as mulheres são atiradas aos lobos. Os fundamentos racistas desses procedimentos legais exigem uma resposta.

#MeToo, #UsToo e #Time’sUp não expuseram apenas violadores individuais e misóginos, elas rasgaram o véu que escondia as instituições e as estruturas que os autorizavam.

A violência de gênero baseada na raça é internacional, tal como deve ser a campanha contra ela. O imperialismo norte-americano, militarismo e colonialismo fomentam a misoginia ao redor do mundo. Não é uma coincidência que Harvey Weinstein, nos seus longos anos a tentar silenciar e aterrorizar as mulheres, tenha usado a empresa de segurança Black Cube, que é feita de ex-agentes do Mossad [Instituto para Inteligência e Operações Especiais do Estado de Israel] e de outras agências de inteligência de Israel. Nós sabemos que o mesmo estado que manda dinheiro a Israel para brutalizar a palestina, Ahed Tamimi e sua família, também financia as prisões em que mulheres afro-americanas como Sandra Bland e outras morreram.

Então, no dia 8 de março nós estaremos em greve contra a violência de gênero – contra os homens que cometem violência e contra o sistema que os protege.

Nós não nos calamos. Nós somos forçadas pelo capitalismo a nos calar.

Em 8 de março, #EntramosEmGreve. On 8 March #WeStrike.

Linda Alcoff, Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya, Rosa Clemente, Angela Davis, Zillah Eisenstein, Liza Featherstone, Nancy Fraser, Barbara Smith, Keeanga-Yamahtta Taylor

 

 

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