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O sexo dos anjos

21
Jun17

Assumir a responsabilidade

por Cila

JN.jpg

 Foto JN

 

Pensei muito antes de decidir escrever alguma coisa acerca da tragédia que abalou o nosso país. Pensei que já existe tanta opinião, tanto comentário, tantas criticas/louvores, tanto lavar de roupa suja, tanto quem é culpado ou quem não é, se foi a polícia ou a falta de bombeiros, se foram as condições climatéricas ou se alguém inescrupuloso, enfim, achei que já nada mais haveria a dizer.

Ainda assim, e porque não vejo por parte de ninguém, a verdadeira questão/solução a ser apontada, aqui vai a minha humilde opinião, pode ser que seja vista por alguém que tenha o poder de mudar alguma coisa.

 

Para mim, o mais importante neste momento, não é atribuir responsabilidades ou culpar alguém pelo que aconteceu, isso será a seu tempo e com distanciamento para que seja feito de forma objetiva e verdadeira.  

O mais importante será reconhecer onde se errou e assumir o que se pode fazer para que não volte a acontecer. Não esqueçamos que, apesar da enorme dimensão desta tragédia, já aconteceu muitas outras vezes, todos os anos morrem bombeiros ao serviço do país, em 1986, morreram 14 bombeiros e 2 civis no combate a um incêndio em Castanheira do Vouga, Águeda. Até hoje, tudo está na mesma.

O nosso país tem de assumir a responsabilidade de todas estas mortes e a única forma de o fazer e que mostre que todas estas mortes não foram em vão, é trabalhar, é tomar verdadeiras atitudes e soluções.

Eis algumas ideias que podem contribuir para o futuro das florestas do nosso país:

- Não á plantação indiscriminada de eucaliptos (são extremamente combustíveis e geram fumo altamente toxico), Portugal é o país da EU com maior concentração desta árvore.

- Definir uma margem segura entre as vias rodoviárias/habitações  e o início das plantações e também entre cada árvore. Sempre que essa margem não for respeitada cabe às autoridades a sua limpeza e a aplicação de coimas que devem ser pesadas de modo a dissuadir os proprietários do incumprimento.

- Apoiar as populações que substituírem as plantações de eucaliptos por outras espécies que sempre existiram na península ibérica e que se sabe serem inibidoras de incêndios, tal como, carvalhos, castanheiros, etc. Quando digo apoiar, é mesmo apoiar financeiramente e substancialmente, de outro modo não vai resultar. Mais vale gastarem o dinheiro desta forma do que enfrentar uma tragédia desta dimensão, nem sequer falando do quanto isto está a custar ao país.

- Repor imediatamente a nossa antiga guarda-florestal. Conheci muitos, há bastantes anos, que foram a primeira barreira contra incêndios. Sempre vigilantes e conhecedores, quase metro por metro, das nossas serras, aldeias, caminhos e carreiros.

Por fim, senhores governantes, ouçam as nossas populações, os nossos velhotes, aceitem as suas sugestões, ninguém melhor do que eles conhece as suas regiões e as suas necessidades.

Por mim, resta-me a esperança que esta tenha sido a ultima vez, de perda, de dor, de luto.

 

 

 

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